terça-feira, 22 de março de 2011

BAÚ: IDEIA DO TWITTER NASCEU EM 1992, INSPIRADA EM TAXISTA



O Twitter completa nesta segunda-feira 5 anos no ar. Mas a ideia do serviço, acreditem, vem de 1992. O programador Jack Dorsey, aos 15 anos, produzia softwares para que taxistas dissessem onde estavam. E daí pensou: por que não permitir às pessoas fazerem o mesmo?


O projeto ficou na gaveta até 2006, quando nasceu o Twitter. Entrevistei Jack para o Link em 2009. A reportagem foi publicada no dia 12 de março, quando a rede de microblogging fazia 3 anos.


Uma curiosidade: na ocasião, a previsão dos próprios responsáveis pelo Twitter era de que o serviço estourasse em 5 anos. Mas só foram necessários alguns meses para virar este “monstro” que é hoje.


Outra curiosidade: na entrevista, Jack conta porque no Twitter só cabem 140 caracteres: é o número máximo para mensagens SMS. Sim, o Twitter foi pensado para SMS originalmente.


Um homem de poucas palavras


Ele está com a caixa de e-mails lotada de pedidos para entrevistas. Todos os dias, é pelo menos mais uma dezena que chega. Há três anos, Jack Dorsey era apenas um desconhecido programador de softwares para rastreamento de táxis. Hoje, tornou-se @jack, acompanhado por mais de 140 mil pessoas, que querem saber o que ele pensa e faz. Tudo por causa de uma ideia que teve aos 15 anos, estreou quando tinha 29 e transformou-se no maior sucesso digital agora que ele tem 32: o Twitter.


Dorsey é idealizador do serviço onde as pessoas expressam suas ideias, opiniões e informações em apenas 140 caracteres. Uma ideia que nasceu em 1992, quando Jack se inspirou no trabalho que fazia: se era possível usar tecnologia para taxistas dizerem onde estavam, porque não daria para as pessoas fazerem o mesmo? Tecnologicamente, só foi possível em 2006, quando, também, Jack convenceu o criador do Blogger, Evan Willians, a apostar na ideia.


Hoje, de The New York Times, Techcrunch e The Guardian ao Link, todos os veículos do mundo só falam de sua ideia, que tem quase 20 anos. Muito barulho? “Sim. Estamos muito contentes com isso. Mas no fim das contas, foram três anos em que trabalhamos muito”, disse ao Link.


Jack é, como assume, de poucas palavras. A maioria de suas respostas ao telefone poderia ser “twittada” em 140 caracteres. E esse é um dos motivos para uma das principais características do Twitter: o texto curto. “Com um limite de tamanho, as pessoas são mais espontâneas e instantâneas. A ideia é minimizar os pensamentos.”


Outra razão para os 140 caracteres é técnica. Muitos celulares não enviam mais de 160 caracteres em uma mensagem SMS – necessária para postar no serviço de forma móvel. Então, 20 caracteres ficam para o nome de usuário e o resto para o texto em si. “O Twitter nasceu para o celular. Foi por isso que só estreou em 2006, porque havia tecnologia para isso”, diz. A ideia era que cada um “twittasse” respondendo à pergunta “o que você está fazendo agora?” e isso poderia ser acompanhado por quem se interessasse.


À primeira vista, o Twitter é uma rede social: você adiciona pessoas e pode conversar com elas. Só que conta com uma pitada de autopublicação e instantaneidade e a troca de informações é frenética. Mas Jack recusa o rótulo. Para ele, rede social é organizar relações com amigos. “O Twitter é mais uma rede de notícias, onde cada um atualiza em texto a sua vida. Quem quiser, segue. Não é preciso ser amigo. Uma pessoa pode te seguir e você pode não querer segui-la.”


E essa “rede de notícias” ganhou vida própria. O celular, embora seja o meio predileto de Jack, que “twitta” o dia todo, não tornou-se – pelo menos ainda – preferência entre os usuários. A maioria, diz, usa o PC. Já a ideia original de se contar o que se está fazendo deu origem a um sem número de finalidades. “Não há regra. Uns falam sobre a vida ou postam links; outros ‘twittam’ das férias. É um serviço que está se definindo. A tecnologia é nova. Todos os dias as pessoas acham novas utilidades.”


O serviço já virou plataforma de campanha de Barack Obama, serviu para que vítimas dos ataques em Mumbai em 2008 mandassem relatos ou que pousos forçados de aviões fossem noticiados. Além, lógico, de fofoca. A atriz Demi Moore se transformou em sua própria papparazzi e o Oscar foi comentado ao vivo por quase toda comunidade.


Assim o Twitter conquistou seus atuais 6 milhões de usuários, a maioria em EUA e Japão, mas o Brasil está “entre os dez mais”. Em um ano, o serviço cresceu 900%. Mas ainda há um desafio: falar com as massas. Hoje, internautas antenados, como blogueiros, jornalistas e celebridades habitam o serviço. Só que os “menos experientes”, ainda não.


Evan Williams, já disse que, para tornar-se para qualquer usuário, seria necessário cinco anos. Jack, porém, não arrisca um prazo, mas diz que esse movimento já está acontecendo. “Há um ano e meio, éramos só para early adopters. Isso já começou a mudar.” Para ele, a presença cada vez maior de personalidades deve atrair a massa.


Nesse processo, prevê, o serviço deve mudar para ficar ao gosto do novo freguês. O que seria isso? “Não temos ideia. Os novos usos das pessoas estão nos guiando.” Como deve ser o Twitter daqui a dois, cinco anos? “Não sei. É esperar para ver.”


Projeto ficou 17 anos na gaveta


Dos táxis para os celulares e PCs. A ideia de permitir às pessoas enviar textos curtos e constantes vem da dinâmica das cidades. Da mesma forma que produzia softwares para que taxistas pudessem informar a uma central onde estavam, Jack Dorsey, então com 15 anos, em 1992, imaginou que poderia permitir às pessoas comuns publicarem status de seu dia a dia. No final, tudo convergiria para uma forma de sentir o que a cidade estava fazendo e pensando naquele momento.


O projeto ficou adormecido até 2000. No ano, quando ainda fazia softwares para táxis, Jack desenhou em uma folha de papel o esqueleto do que viria a ser o Twitter. “Mas ainda não havia tecnologia que permitisse a mobilidade.” E o Twitter voltou para a gaveta.


Em 2006, o programador foi trabalhar em uma empresa chamada Odeo, de podcasting. Aí sim. Foi lá que Jack conheceu o criador do Blogger – que havia vendido o serviço para o Google havia três anos –, Evan Williams, que era o dono da Odeo na época. Lá também trabalhava outro programador, Biz Stone. “Mostrei para o Evan o projeto. Ele gostou e me pediu para desenvolver um protótipo em duas semanas, o que o Biz me ajudou a fazer.” É por essa junção que tanto Evan como Jack e Biz são considerados criadores do Twitter.


O nome dado ao serviço, inclusive, foi um processo curioso. Os criadores estavam em busca de uma nomenclatura que significasse “um movimento físico”. “Quando você recebe uma mensagem do Twitter no celular, ele vibra com um som parecido com ‘twitch’. Fomos olhar no dicionário palavras semelhantes a isso. Encontramos Twitter, que significa “espalhar informações inconsequentes” e o gorjeio de pássaros. Descrevia muito bem o serviço.”


Em março de 2006, o serviço foi lançado para testes internos. E em agosto, teve estreia para o público em geral. No começo, o Twitter não era o produto principal da empresa. Mas tornou-se a partir de abril de 2007, quando a Odeo viu que não haveria como competir com a Apple na área de podcasts. E uma nova empresa foi criada, com, além de Evan, Jack e Biz como donos.

terça-feira, 1 de março de 2011

Tudo que Buda queria era Jesus

        Buda disse que viver é sofrer; e que o sofrimento é fruto do desejo; e, desse modo, a vitória sobre o sofrimento seria a mortificação do “eu” pela via do desapego a todas as coisas; a tal ponto que o total desapego colocaria a pessoa no estado de iluminação que o Buda alcançou; entrando-se, desse modo, no Nirvana — estado no qual todos os desejos já deram lugar a aceitação, e o ego se dissolveu no todo universal; continuando existente no todo, porém sem consciência de si e sem qualquer pessoalidade. Ou seja: tem-se que dissolver a consciência de si mesmo no todo universal a fim de se ter uma paz que não sabe de si.
      Ora, apesar disso, tem-se que admitir que Buda afirmou algumas coisas semelhantes ao que Jesus ensinou. Mas há grandes diferenças.
       Em Jesus o “eu” a ser posto na cruz é o “si-mesmo”, que tem que dar lugar a um eu rendido ao amor. Tomar a própria cruz e seguir a Jesus, não é, todavia, um exercício de desistência do eu, mas sim de sua falsificação, que é o “si-mesmo”. Isto porque para negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-Lo —, há uma grande demanda, não de desistência do eu, mas de fortalecimento dele em seu estado mais essencial; pois, somente quando o “si-mesmo” é crucificado é que o eu começa a sua própria jornada sobre a realidade; e não mais sob os auspícios dos desejos ilusórios.
      Assim, Jesus diz que no mundo se tem muitas aflições. Não diz que viver é sofrer, mas afirma que se tem muita da dor na existência. Seu ensino, todavia, não nos convida para um esforço contra os desejos e paixões que só podem ser vencidos se a pessoa morrer junto e por inteiro em sua pessoalidade.
     Por isto, ao invés de ensinar a negação como evasão da vida, Jesus ensina o “bom ânimo” como inserção na vida!
Sim, ao invés de lutar contra os desejos, Jesus ensina que no mundo há aflições, frustrações, injustiças, iniqüidades, e dor; mas combate tudo isto com “bom ânimo”.

     Afinal, chega um ponto em que depois de todas as paixões e desejos, a própria existência trata de fazer de quase todo homem um budista sem nem ao menos a evasão para o Nirvana. Por isto, pode-se dizer que depois do Encontro com a Existência, o maior desejo passa a ser de morte; ainda que a maioria não saiba. Daí, sem esperar que a vida esmague ninguém, porém afirmando que as dores são inevitáveis, Jesus manda ter “bom ânimo”; pois, de fato, é o bom ânimo o poder que combate o desejo mais essencial que habita os humanos, que é a pulsão de morte e de suicídio maquiado.
     Jesus nunca jejuou para matar nada. Seu jejum era para ficar só e concentrar todo o Seu foco humano na tarefa que historicamente começava. Entretanto, Nele não há angustia de ser, como havia em Buda. As angustias de Jesus não são conflitos existenciais, mas reações naturais e humanas frente à dor real e infligida como tortura e morte. Mas não há nenhuma outra angustia Nele. Porque Jesus não “deseja” nada, nunca teve qualquer dos conflitos de Buda.
Sim, Buda tem que lutar para se iluminar. Jesus é a Luz. Buda tem um si-mesmo em conflito com seu eu. Jesus é ego-amor. Buda tem que experimentar roteiros e buscar o mais sábio, segundo sua percepção. Jesus é o Caminho. Buda se ausenta da vida e medita. Jesus fica em silencia público trinta anos, medita, e entra na vida em sua
plenitude, e com todos. O Buda não chora. Jesus chora. O Buda não ri. Jesus gargalha. O Buda não bebe. Jesus é acusado de ser bebedor de vinho. O Buda se recolhe em reclusão permanente. Jesus manda que jamais se faça assim.

     O Buda diz: “Meu ensino é como uma balsa para atravessar um rio. Seria loucura, depois da travessia, levar a barca por aí”. Jesus, todavia, não se diz uma balsa para um tempo de travessia, mas diz ser o Caminho onde quer que haja Vida a ser experimentada; seja na travessia; seja em terra firme ou não; seja para aqui, seja para além; seja para a vida, seja para a morte; seja em tempos de angustia ou de paz — Jesus não é temporário.
     Além disso, é a naturalidade de Jesus e Seu senso de propriedade e bom senso, aquilo que nos mostrar o que significa estar no mundo, vive-lo sem medo, e, ao mesmo tempo, não ser do mundo; porém sem nenhuma evasão.
O Buda não venceu o mundo, mas apenas encontrou uma porta de alienação, que antes de tudo é uma Psicologia do Impessoal. Jesus venceu o mundo, pois, nele amou a todos; e se deu por todos; e, antes de morrer por amor, viveu entre os homens, em suas casas, com suas dores, curando-lhes os males, sorrindo com suas alegrias, defendendo-os de inimigos perversos, expulsando demônios e devolvendo as pessoas à família e à vida.
Buda diz Não-Eu! Jesus diz: Eu Sou!

    O caminho da consciência em Buda leva ao mergulho na Inconsciência. O caminho da consciência em Jesus leva a conhecer a Deus como somos por Ele conhecidos.
    Assim, Buda é um homem querendo paz no Nirvana. Jesus é Deus chamando os homens a Si mesmo; pois, em Jesus, o convite não é para o nirvana-céu, mas para a experiência eterna e crescente na consciência em Deus.
Buda queria o caminho da paz e da harmonia, para si e para os outros. Jesus é a Paz. E ele é o Caminho.
Assim, como uma criança, digo: Tudo o que Buda desejaria de melhor significaria, na História, ter conhecido a Jesus!

     Nele, a Quem todos buscam, mesmo quando não sabem.